VENTOS FORTES DERRUBAM A ESTÁTUA DE IRACEMA EM PRAIA DE FORTALEZA

Exposto na Praia de Iracema, o monumento caiu na tarde desta terça-feira, 3, no calçadão da Beira-mar. Estátua é um dos principais cartões postais de Fortaleza. O cearense Zenon Barreto (1918-2002), criador da obra, morreu há 20 anos e, ao longo de sua vida, defendeu a preservação do patrimônio e da arte pública

O monumento conhecido como “Iracema Guardiã”, um dos principais cartões postais de Fortaleza, no Ceará, caiu na tarde desta terça-feira, 3, no calçadão da Beira-mar. Depoimentos de pessoas que passavam pelo local dão conta de que a ação de um vento forte teria ocasionado a queda. Em nota, a Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor) informou que a estátua será armazenada em espaço adequado. Após o procedimento, será produzido um laudo sobre o que ocorreu e o que precisa ser feito, com o intuito de realizar o trabalho de restauro do patrimônio.

Até então exposta na orla da Praia de Iracema, a obra foi criada por Zenon Barreto (1918-2002), um dos maiores nomes das artes plásticas do Estado. Jacqueline Medeiros, pesquisadora, curadora da obra de Zenon, responsável pelo acervo do Banco do Nordeste (uma das instituições com conjuntos representativos de Zenon) e organizadora da publicação digital “Salvador Daky, Zenon Barreto”, repercute como a queda do monumento afeta o debate sobre a arte pública em Fortaleza.

“O manual básico de obras de arte indica que uma obra de arte, sobretudo instalada em área externa, requer vistoria e manutenção sistematicamente para prevenir corrosão, rachaduras, empenas, etc. Os órgãos públicos precisam lembrar disso. A própria Iracema já passou por algumas manutenções por roubo do arco em 2002 ou deterioração em 2012, a última. Não sei exatamente a razão do dano, mas também não tenho informações sobre vistorias ou manutenções preventivas”, afirma Jacqueline ao jornal O POVO.

Símbolo de Fortaleza

A pesquisadora acrescenta: “Iracema é o símbolo de Fortaleza! Está presente em milhares de reproduções, do pequeno artesão a grandes empresas, quando querem se instalar na cidade, além dos turistas. Transformou-se em ícone que reflete a braveza das cearenses”.

Em 2022, a morte do artista plástico Zenon Barreto completou 20 anos. O artista sobralense morreu por complicações de um enfisema pulmonar, aos 84 anos, em 18 de janeiro de 2002. Combativo pelo direito à arte pública e defensor do patrimônio histórico, ele criou a “Iracema Guardiã” em homenagem à literatura de José de Alencar. O artista também esteve na revitalização da casa do escritor, em Messejana.

O projeto do monumento levou mais de 20 anos para ficar pronto e, ao fim, não ficou exatamente como Zenon queria. Em entrevistas ao O POVO, o artista imprimia sua sinceridade. Nos registros das páginas impressas deste jornal, ele falou do aborrecimento com a execução do arco da “Iracema Guardiã”.

Em outubro de 2012, ano que marcou os dez anos sem Zenon, o escultor Franzé D’Aurora assinou a reforma do monumento. A estátua ganhou um revestimento na cor bronze, com curvas e traços diferentes da obra original. O resultado da revitalização é justamente a Iracema Guardiã que caiu nesta terça-feira, 3.

Por ocasião dos 20 anos de morte de Zenon, a pianista Nara Vasconcelos, nora do artista e diretora internacional do Zenon Instituto Cultural — instituição sem fins lucrativos presidida pelo violonista Frede Barreto, filho único de Zenon — lembrou ao O POVO a saudade do artista e a relevância de sua estética modernista, da sua capacidade combativa e do apreço pela coletividade.

Blog do Rosálio Daniel/ O povo

 

 

 

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