MORRE LYGIA FAGUNDES TELLES, GRANDE DAMA DA LITERATURA BRASILEIRA

Cerimônia, restrita à família, ocorreu no Cemitério da Vila Alpina, na manhã desta segunda (4). Dama da literatura brasileira morreu em casa neste domingo (3), aos 98 anos. Paulistana era integrante da Academia Brasileira de Letras desde a década de 80 e recebeu os prêmios Camões e Jabuti.

O corpo da escritora Lygia Fagundes Telles foi cremado no Cemitério da Vila Alpina, na Zona Leste de São Paulo, na manhã desta segunda (4). A cerimônia foi restrita à familiares. Lygia morreu na manhã do domingo (3), aos 98 anos.

velório foi realizado no domingo (4), na Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche. A cerimônia de despedida começou por volta das 18h e terminou às 20h30.

A escritora morreu em sua casa, de causas naturais, segundo Juarez Neto, da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Uma Sessão da Saudade será realizada na próxima quinta-feira (7), no Salão Nobre, em homenagem à autora.

Biografia

Lygia nasceu em São Paulo em 19 de abril de 1923 e passou a infância no interior do estado. Logo depois de alfabetizada, reproduzia nos cadernos escolares as histórias que ouvia. Ela escreveu seu primeiro conto, “Vidoca”, em 1938.

Na época do ensino Fundamental, ela voltou para a capital com o pai, advogado, e a mãe, pianista, e estudou na Escola Caetano de Campos, colégio tradicional da cidade. Com apenas 15 anos, publicou seu primeiro livro de contos, “Porão e Sobrado”.

Em seguida, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, onde se formou. Quando era estudante do pré-jurídico, a jovem cursou a Escola Superior de Educação Física da mesma universidade.

Segundo a ABL, ainda na adolescência manifestou-se a paixão, ou melhor, a vocação para a literatura incentivada pelos seus maiores amigos, os escritores Carlos Drummond de Andrade e Erico Verissimo.

Lygia considerava Ciranda de Pedra (1954) o marco inicial de suas obras completas. O romance virou novela na TV Globo quase 30 anos depois, em 1986. A novela foi escrita por Janete Clair, com a colaboração de Dias Gomes.

Também em 1954, nasceu seu filho Goffredo da Silva Telles Neto, de seu primeiro casamento. Cineasta, ele viria lhe dar duas netas: Margarida e Lúcia, mãe da única bisneta, Marina.Ainda nos anos 1950, foi publicado o livro Histórias do Desencontro (1958), que recebeu o Prêmio do Instituto Nacional do Livro.

O segundo romance, Verão no Aquário (1963), Prêmio Jabuti, saiu no mesmo ano em que já divorciada casou-se com o crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes. Em parceria com ele, Lygia escreveu o roteiro para cinema Capitu (1967) baseado em Dom Casmurro, de Machado de Assis.

A década de 1970 foi de intensa atividade literária e marca o início da sua consagração na carreira. A escritora publicou alguns de seus livros mais importantes: Antes do Baile Verde (1970), As Meninas (1973), Seminário dos Ratos (1977) e o livro de contos Filhos Pródigos (1978).

Em 1977, em plena ditadura, foi uma das autoras do “Manifesto dos intelectuais” contra a censura.

Em 1985, ela foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, se tornando a terceira mulher a entrar para a ABL, e fez um discurso histórico.

“Imaginai uma reunião na linha dos malditos, dos raros, daqueles que pelos caminhos mais inesperados escolheram a ruptura. Fora do tempo e ocupando o mesmo espaço estão todos em uma sala. É noite. Os gênios ignorados num país de memória curta, que parece preferir os mitos estrangeiros, como se estivéssemos ainda no século 17, sob o cativeiro do reino. Os mitos estrangeiros que continuam sim nos vampirizando. Nós já estamos quase esvaídos e ainda oferecemos a jugular no nosso melhor inglês, o vosso amor é uma honra para mim”.

De acordo com a ABL, a consagração definitiva viria com o Prêmio Camões (2005), distinção maior em língua portuguesa pelo conjunto de obra.

Escritora Lygia Fagundes Telles morre em São Paulo
Blog do Rosálio Daniel/G1.com

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