FACEBOOK MUDA O NOME DA EMPRESA PARA META; VEJA O QUE SIGNIFICA ESSA MUDANÇA

Facebook agora passa a se chamar Meta. O anúncio foi feito hoje. Mark Zuckerberg, CEO do  Facebook, já havia afirmado que a companhia quer deixar de ser reconhecida pelas redes sociais e passar a ser vista como um metaverso.

“O metaverso é a próxima fronteira”, disse Zuckerberg em uma apresentação na conferência Connect do Facebook, realizada virtualmente na quinta-feira. “De agora em diante, vamos primeiro ser o metaverso, não o Facebook”.

O que é esse metaverso, afinal? O metaverso é uma ideia nascida na imaginação de romancistas de ficção científica. Na visão da companhia, as pessoas se reunirão e se comunicarão em ambientes virtuais, seja conversando com colegas em uma sala de reuniões ou passeando com amigos por qualquer canto do mundo.

O Facebook deixa de existir? Não. De acordo com Andrea Mendonça, Chief Growth Officer da B&Partners.co, a Meta poderá ser uma espécie de holding responsável por unir as plataformas que seguirão representadas cada uma por uma marca — Facebook, WhatsApp, Instagram e outras.

Portanto, este não é o fim da marca Facebook, ela só deixa de ser associada ao nome da empresa. “O Facebook era só uma rede social e foi comprando outras empresas, então o nome da holding seguiu sendo o nome de um dos produtos. Agora, para o nome da empresa não ser o nome do produto, muda-se o nome da holding”, afirma Mendonça.

Para entender o que essas mudanças significam e quais devem ser os rumos da empresa, o 6 Minutos ouviu especialistas. Confira:

Por que tirar o foco das redes sociais? Janaina Costa, pesquisadora sênior de Direito e Tecnologia do ITS Rio (Instituto Tecnologia e Sociedade), explica que o mercado de tecnologia está no início de uma transição para a próxima geração da internet. O movimento do Facebook e de outras empresas em direção ao desenvolvimento de um metaverso faz parte disso.

“A gente tem que dar um passo para trás para relembrar as dimensões da internet. A 1.0 deu acesso à informação, a 2.0 trouxe novas formas de interação a partir das redes sociais e, agora, virá a 3.0 baseada na imersão”, afirma.

A pesquisadora lembra que, até agora, as aplicações mais viáveis de realidade virtual e realidade aumentada têm ocorrido nos âmbitos da arquitetura, medicina e desenvolvimento de produtos. Com a atuação de gigantes da tecnologia nesse meio, usuários comuns passarão a ter experiências cada vez mais imersivas e interativas com a internet.

O que seria esse metaverso? “É um mundo onde a gente pode conectar o real e o virtual”, diz Costa.  Seria possível, por exemplo, assistir a shows ou realizar reuniões nesse novo universo e também fazer conexões para além das redes sociais, com acesso a compras e conteúdos diversos.

De acordo com Mark Zuckerberg, a principal característica do metaverso é a sensação de estar presente. O avatares serão muito realistas, inclusive com expressões faciais. “Pode parecer ficção científica, mas estamos vendo essas tecnologias ganharem corpo. Em 5 ou 10 anos elas serão parte do cotidiano”, declarou Zuckerberg durante o evento Connect 2021.

O que já existe de concreto em relação a isso? Em 2014, o Facebook adquiriu a Oculus, empresa especializada na fabricação e na venda de dispositivos para o uso de realidade virtual. Esta é a empresa que disponibiliza os headsets Quest 2, que permitem aos usuários realizar reuniões com versões de avatar de si mesmos.

Aplicativo Horizon Workrooms em fase de teste para uso dos headsets Oculus Quest 2, do Facebook.
Crédito: Facebook / via Reuters

Além disso, o diretor financeiro, David Wehner, disse nesta semana que o investimento da empresa na divisão de hardware, Facebook Reality Labs, deve reduzir o lucro operacional de 2021 em aproximadamente US$ 10 bilhões. A companhia ainda planeja contratar 10 mil funcionários na Europa nos próximos cinco anos para trabalharem na iniciativa.

Por que a mudança de nome? De acordo com Andrea Mendonça, esse é um reposicionamento bastante comum entre grandes empresas. Inclusive, o mundo da tecnologia já viu um movimento parecido acontecer em 2015, quando a aglutinadora das marcas Google deixou de ser homônima ao site de pesquisas e passou a ser chamada de Alphabet.

Isso ajuda o Facebook a se desvencilhar das polêmicas? Para Andrea Mendonça, não. Segundo ela, a troca de nome é mais uma estratégia de governança do que uma forma de tentar limpar a imagem da marca. “As polêmicas sempre existiram e não impediram o crescimento da rede. A marca é muito forte. Acho que nos dias de hoje uma cortina de fumaça dessas não funcionaria e pegaria muito mal”, explica.

O que precisaria ser feito para realmente renovar a marca?  Caso esteja nos planos do Facebook realizar uma revitalização da marca, o primeiro passo seria ouvir os clientes. Segundo a especialista, a partir disso, seria possível repensar valores e posicionamentos.

Blog do Rosálio Daniel por  – São Paulo com Bloomberg

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