CASAS BAHIA E PONTO FRIO VÃO VENDER PARA QUEM NÃO TEM DINHEIRO E NEM CARTÃO COM A CRIAÇÃO DO CARNÊ DIGITAL

Via, dona das Casas Bahia e Pontofrio, quer usar o crediário digital para impulsionar as vendas online. Hoje, o principal meio de pagamento do consumidor que faz compras em sites e aplicativos é o cartão de crédito. Uma parcela menor paga com boleto ou Pix.

O problema é que não é todo mundo que tem cartão de crédito. Mesmo entre os que têm cartão, não são todos que têm limite suficiente para fazer compras mais parrudas, como uma geladeira ou TV com tela gigante.

Para resolver essa dificuldade, o BanQi, o banco digital da Via, quer usar o carnê digital para destravar as vendas online. “Hoje, 63% das compras digitais são pagas com cartão e os 37% restantes com débito, boleto e Pix. Quando a gente pergunta para as pessoas por que não compraram, 41% dizem que não tinham cartão com limite ou tiveram o crédito rejeitado e 15% porque consideram o cartão caro”, afirma André Calabro, CEO do BanQi, o banco digital da Via.

A solução, na visão da Via, para permitir que pessoas sem limite no cartão ou com restrição de crédito tenham acesso às compras online é o crediário digital, a nova versão do velho carnê de papel das Casas Bahia. “As vendas digitais representam só 10% do varejo total. Nossa tese é que as vendas online só vão acontecer no Brasil se a gente escalar o crédito”, diz Calabro.

O carnê, defende ele, é o precursor do buy now, pay later (compre agora, pague depois), que virou febre nos Estados Unidos. “O buy now, pay later nada mais é do que uma cópia do crediário da Casas Bahia, que existe há muito tempo, é o maior do mundo, tem rentabilidade e é um sucesso”, afirma.

A ampliação das vendas digitais é uma das estratégias para atender os clientes que estão nas 1.500 cidades onde a Via não tem loja física. Com o crediário, a Via consegue fidelizar o consumidor e aumentar sua recorrência de compra. “Nossos números mostram que 50% dos clientes do crediário voltam a fazer uma nova compra de 12 a 14 meses depois”, diz o executivo.

Hoje, mais de 1/3 das vendas realizadas nas lojas físicas são pagas com o crediário próprio da Via. Por isso, o carnê continua sendo importante para as vendas físicas.

Para o CEO do BanQi, o crediário tem características que são valorizados pelo público que não entende bem o funcionamento do cartão de crédito. “Existe uma clareza sobre o que vai se pagar lá na frente, são parcelas fixas, o valor não muda. Tem uma parte da população que não entende a dinâmica do cartão seja no momento da compra, de pagar a fatura ou de negociar o pagamento.”

Linhas de crédito

Mas não é só no crediário que a Via quer atuar. No final de julho, a companha ganhou autorização do Banco Central para operar como SCD (Sociedade de Crédito Direto). Com isso, a empresa fica liberada para oferecer linhas de crédito para os clientes.

“O consumidor quer crédito, mas não necessariamente para comprar alguma coisa. Por isso vamos dar uma opção de crédito ao cliente”, afirma Calabro.

Em um primeiro momento, esse crédito pessoal será oferecido para a base de 15 milhões de clientes da Via. “Nos preparamos para neste ano poder operar com R$ 300 milhões. Já temos uma base de clientes com crédito pré-aprovado e na sequência vamos operar em mar aberto”, diz Calabro se referindo a pessoas que nunca fizeram compras na companhia. “Os 15 milhões são clientes que a gente já conhece o histórico de pagamento.”

Para o próximo ano, o BanQi terá capacidade para operar até R$ 16 bilhões em linhas de crédito. “Somos ligados ao varejo, nossa estratégia é manter esse cliente conosco. Por isso, vamos cobrar uma taxa que ele pode pagar. Porque se ele não puder pagar, vai ficar inadimplente e não poderá fazer novas compras.”

O BanQi também vai oferecer cartão de crédito para os clientes da Via. Essa novidade está prevista para começar em 2022.

Buy now, pay later

Como outros executivos da Via, Calabro repete o mantra de que as Casas Bahia são as verdadeiras precursoras do buy now, play later (compre agora, pague depois), sistema de pagamento que vem ganhando força nos Estados Unidos.

“Vimos uma série de notícias falando do sucesso do buy now, pay later. E ele nada mais é do que uma cópia do crediário da Casas Bahia, que existe há muito tempo, é o maior do mundo, tem rentabilidade e é um sucesso”, afirma André Calabro.

Blog do Rosálio Daniel – 6 min

 

 

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