FORTALEZA VIVE O PRIMEIRO DIA DE GREVE DOS MOTORISTAS DE ÔNIBUS

Passageiros se aglomeram nas paradas de ônibus e sofrem dificuldade para conseguir transporte público na manhã desta terça-feira (8), primeiro dia de greve dos motoristas de ônibus de Fortaleza. O terminal do Siqueira chegou a ser fechado durante uma manifestação dos grevistas, e os veículos não puderam entrar ou sair durante cerca de meia hora.

Pessoas no local relatam demora para conseguir entrar nos ônibus e falta de alternativa para chegar ao trabalho. Alguns passageiros afirmam que o preço de um percurso de Uber chega a R$ 60 nesta manhã.

Segundo testemunhas, participantes da greve pedem que os passageiros de coletivos que deveriam entrar no terminal desembarquem nas vias, enquanto os veículos são impedidos de entrar no local.

O início da greve dos trabalhados do transporte público foi decidido em assembleia realiza pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Ceará (Sintro/CE) nesta segunda-feira (7). Os motoristas e cobradores reivindicam reajuste salarial e priorização da categoria na campanha de vacinação contra Covid-19, entre outros pedidos. O último aumento salarial da categoria foi em 2019.

Passageiros reclamam da situação e dizem que estão sem opção de transporte. “Falta de consideração com o ser humano. Disseram que tinha ônibus normal. Quando chegamos aqui, não tinha ônibus. Não tem ônibus, mototáxi está custando R$ 30, Uber está custando R$ 60. Já liguei pra lá [para o local de trabalho] dizendo que vou chegar atrasada”, reclama a professora Joseana Marques.

Na Avenida Osório de Paiva, as paradas de ônibus estão cheias de pessoas à espera de veículos do transporte público.

“Não entrei no terminal, só vi a multidão de gente desse jeito aí. A gente precisa trabalhar para sustentar a família da gente e um negócio desse jeito. Era para eu estar 6h40 no trabalho e já estou muito atrasada”, disse a trabalhadora Luzimar Pessoa da Silva. Ela não conseguiu entrar no terminal e aguardou por um ônibus na Avenida Osório de Paiva.

“Quando eu cheguei do Antônio Bezerra, estava tudo normal no terminal Siqueira. Peguei o primeiro ônibus por volta das 5h30 e estava normal. E depois de uns dez minutos começou a manifestação e não consegui mais sair daqui [terminal do Siqueira]. Agora estou aqui ilhada. Estou esperando uma ligação da minha empresa que trabalho”, afirmou outra passageira.

Diferente do que ocorre no Terminal do Siqueira, o Terminal da Parangaba funciona normalmente na manhã desta terça-feira.

Além da circulação de ônibus que entram e saem do equipamento, há uma intensa movimentação de passageiros nas plataformas do terminal, chegando a formar aglomeração, longas filas e coletivos deixando o local lotados. Também há ônibus circulando normalmente em outros pontos da cidade.

Durante a madrugada desta terça, membros do Sindicato estiveram em garagens de das empresas de ônibus conversando com os trabalhadores para aderirem à paralisação. Porém, não ouve bloqueio nos locais e os veículos

Terminal Lagoa

 

Terminal do Lagoa tem movimentação tranquila e ônibus funcionando normalmente no primeiro dia da greve dos motoristas e cobradores. — Foto: Isaac Macêdo/ SVM

Terminal do Lagoa tem movimentação tranquila e ônibus funcionando normalmente no primeiro dia da greve dos motoristas e cobradores. — Foto: Isaac Macêdo/ SVM

Assim como o Terminal da Parangaba, o Terminal Lagoa também funciona normalmente nesta segunda e a movimentação no local é tranquila.

Poucas pessoas são vistas nas plataformas e os passageiros que estão no equipamento aguardam os coletivos sem enfrentar filas.

70% da frota

 

Movimentação tranquila no Terminal da Parangaba em Fortaleza. — Foto: Isaac Macêdo/Sistema Verdes Mares

Movimentação tranquila no Terminal da Parangaba em Fortaleza. — Foto: Isaac Macêdo/Sistema Verdes Mares

O Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT/CE) determinou nesta segunda-feira (7) que motoristas e cobradores de ônibus de Fortaleza devem garantir a circulação de pelo menos 70% da frota de veículos, caso entrem em greve. Em caso de descumprimento, foi estipulada uma multa diária de R$ 30 mil.

De acordo com o desembargador Paulo Régis Machado Botelho, que assinou a decisão de manutenção da frota em caráter de tutela de urgência, o movimento deve “se abster de realizar qualquer bloqueio aos terminais rodoviários, garagens, praças e locais de paradas dos veículos de transporte público, de impedir o acesso dos empregados das empresas representadas pelo requerente que queiram trabalhar no local de trabalho ou promover a interdição de vias públicas.”

Em sua argumentação, o magistrado também ressaltou “o risco de aglomeração da população na busca por transporte coletivo alternativo para os seus deslocamentos, como ir ao trabalho, bem como o impacto do movimento grevista para o cronograma de vacinação implementado neste município”.

Blog do Rosálio Daniel – G1.com/ce

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