CONTAS DE LUZ, ÁGUA E TELEFONE PODERÃO SER PAGAS PELO CELULAR

Em mais uma ação para estimular o avanço dos bancos digitais e reduzir o domínio das grandes instituições financeiras, o Banco Central está avaliando, em conjunto com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e a ABBC (Associação Brasileira de Bancos), medidas para que essas instituições financeiras consigam oferecer o pagamento de contas de serviços pela internet.

Hoje, quitar uma conta de luz , água ou telefone de forma digital só é possível se o banco do cliente tiver um convênio com a concessionária.

Como esse mercado já é dominado pelos grandes bancos, que possuem as maiores redes de atendimento e são os únicos que possuem acordos bilaterais com essas empresas, os consumidores de bancos digitais ou fintechs acabam precisando sacar dinheiro e ir até uma instituição financeira credenciada para fazer o pagamento.

Do ponto de vista da defesa da concorrência, essa é considerada uma barreira de entrada no setor bancário pelo BC, que vem avançando em uma agenda para aumentar a competitividade.

No mês passado, por exemplo, a autoridade monetária anunciou que regulará a modalidade de saque e aporte em caixas eletrônicos para que bancos digitais e competidores de menor porte possam oferecer esse serviço a um custo menor, o que culminaria em maior competição no sistema financeiro.

Me explica melhor a medida em estudo para resolver esse problema? Segundo uma fonte a par das negociações, a ideia em discussão entre a Febraban , a ABBC (que representa os bancos de menor porte) e o BC é que a CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos) passe a atuar como intermediadora desses pagamentos.

A câmara é responsável pela liquidação de operação entre bancos, e passaria a substituir esses convênios bilaterais entre instituições financeiras e concessionárias.

“Tudo poderia ser pago pelo celular, de forma digital. Atualmente, esse processo ainda é analógico”, afirmou um executivo próximo às conversas, que prefere não se identificar.

A ideia é que os próprios agentes do setor negociem entre si e fechem uma autorregulação desses pagamentos. “Seria necessário um grande acordo entre os grandes bancos, os bancos menores e a CIP para que essa modernização possa ocorrer”.

Os grandes bancos concordam com esse modelo? As instituições de grande porte estão dispostas a colaborar e discutir mudanças, desde que sejam compensadas de alguma forma nessa reestruturação.

Procurada pela reportagem, a Febraban confirmou, através da sua assessoria de imprensa, que o novo modelo está em discussão. Não detalhou, entretanto, as propostas que estão na mesa.

Blog do Rosálio Daniel – 6 min

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